Perdidos de LisboaPassei. Lá estavas tu, dormente, imune à dor de quem olha surpreendido. Desligado do mundo actual vives. Dormes, acordas e cantas com a rua. Sem ela eras um mendigo. Como que se te tirassem tudo o que tens na vida. Ficavas sem nada.Gostas de fazer o teu próprio destino, e não deixas que vozes alheias te rebaixem, só porque não conhecem a mesma realidade que tu.És livre. Assemelhas-te ao vento. Dormes na cama em que queres, e alimentas-te do que colhes. Preferes a uva ao trigo, não passando indiscreto a examinação de quem se apressa. Não te importa, eles, é que ainda não perceberam da ciência empregue em ti. És como ave ciente do seu ninho, que espera as correntes do sul para planar.És tu. Sem maquilhagem, sem mascaras. Ditas as modas da tua rua.Valores acrescentados só o do tabaco que aquece paulatinamente nas noites menos quentes.Vens sujo, apontam. Mas mais sujos são essas criaturas “apontantes”, cuja poluição é interior, enquanto que a tua é visível a todos.Afinal, quem é o mendigo?
este fim de semana não devo de ir baby porque tenho a minha gala e vou ao festival da Ericeira. Mas depois eu telefono-te quando for para combinarmos qualquer coisa, beijinho.